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CAVALO - A Deusa, A Terra, Viagem



CAVALO


Nome Gaélico: Each


Palavras-chave: A DEUSA, A TERRA, VIAGEM


Dom, Qualidade ou Habilidade do Cavalo

  • Sensibilidade ao Outro Mundo;

  • Ligação às Fadas;

  • Viagem astral;

  • Proteção;

  • Sexualidade;

  • Fertilidade;

  • Elemento Terra.


O espírito do Each chama-nos a fazer uma viagem, a viajar. Isto pode se manifestar como um desejo para viajar no mundo físico ou pode ser que sintamos uma atração para viajar nos Reinos Interiores. O cavalo nos traz a energia, velocidade e nos conecta simultaneamente ao poder da terra e do sol. A deusa-cavalo é a padroeira do ciclo completo da vida, do nascimento à morte, e da vida no além ao renascimento. Ao trabalhar com o espírito do Each iremos gradualmente nos sentir mais confortáveis com todos os aspectos do ciclo da vida, sabendo que a Deusa nos protege e nos guia ao longo de cada uma das etapas.


Podemos olhar para as raízes das nossas inquietudes. Se tivermos dificuldade em assentar, e ficar em um único lugar ou em completar tarefas, isso pode significar que ainda não aceitamos completamente a fluidez do ciclo da vida e o nosso papel dentro dele. Sintonizarmo-nos com o Espírito do Cavalo pode nos ajudar a reconhecer e nos ligar ao nosso sentido de ter um lugar no mundo (senso de pertencimento) - com o espírito da terra abaixo e o céu acima de nós.


Os cavalos são símbolos de riqueza e tem enorme significância na vida celta. Estão associados à boa sorte, crença que perdura até os dias atuais através do símbolo da ferradura. Uma vez que ele é sagrado e traz boa sorte, precisa ser protegido do mau-olhado com medalhões de cobre.



A DEUSA DOS CAVALOS


A deusa dos cavalos Epona, de onde deriva a palavra “pônei”, é originária da *Gália. Mas ela era tão popular que o seu culto se espalhou desde a Grã-Bretanha até a Bulgária, tendo se tornado a única Divindade Celta a ser cultuada em Roma, com dia de celebração em 18 de dezembro. Na tradição galesa a sua equivalente é Rhiannon e na Irlanda são as deusas Macha e Etain.


Para os cavaleiros, sem dúvida que a Deusa dos Cavalos era uma protetora, mas para os civis ela era a deusa-mãe que presidia ao ciclo da vida. Em imagens de abundância e fertilidade, ela alimenta dois potros com cereais que tem ao colo. Noutras imagens, ela segura a chave que abre os portais para o submundo ou o Outro Mundo. Mudando de forma para um cavalo, ela levava as almas dos mortos para as Terras do Verão ou para Hy Breasil, o paraíso irlandês a oeste, que alguns acreditam ter dado o nome ao Brasil. Como cavalo dos mortos, ela é por vezes vista como uma figura fantasmagórica que provoca pesadelos. Na Escócia, o Kelpie ou Each Uisge (Cavalo do Mar), assombra os *Lochs com aparência de um pônei esguio, oferecendo o seu dorso aos viajantes, para os ajudar a atravessar as águas. Mas uma vez que a vítima esteja montada, ele se transforma numa criatura aterrorizadora com dentes enormes e longos cabelos selvagens, mergulhando nas profundezas do Loch e levando o cavaleiro para o submundo. Na Ilha de Skye diz-se que vivem unicórnios em certos lochs e que um cavalo-enguia com doze pernas nada no Loch Awe.


OS PORTAIS DO NASCIMENTO E DA MORTE


Na tradição druídica o Beltane - época do acasalamento - em Maio (no hemisfério norte), simboliza o portal pelo qual a alma entra no mundo, enquanto o Samhuinn - época da morte - no lado oposto do ano, em Novembro, simboliza o portal pelo qual a alma abandona o mundo. Estes dois portais agem como pontos fundamentais no ciclo da vida. A deusa dos Cavalos abre os portais da vida em Beltane, permitindo uma enorme afluência de energia em ebulição que faz com que os homens se sintam como garanhões e que as mulheres se refiram a eles dessa forma. Quando os portais se fecham no Samhuinn, ela transporta a alma para a vida no além, de volta para as Terras do Verão, para que se renove de novo. A associação da deusa dos Cavalos com o ciclo da vida e do nascimento, da morte, da vida no além e do renascimento é confirmada quando descobrimos que se cavalgam ritualmente cavalos de pau no Samhuinn e no Beltane.


O cavalo estando associado ao ciclo da vida, e por consequência à sexualidade, representa não só a fertilidade humana, mas também o poder e a fertilidade da própria Terra. Para além de simbolizar o poder da terra, o cavalo tem uma estreita relação com o sol. Sendo um animal solar, era representado puxando o carro do Sol através do Céu, fazendo com que fosse sagrado não só à Deusa, mas também ao Deus do Sol e do Céu. Independentemente de estar aliado à deusa ou ao deus, o cavalo nos fornece o poder e a capacidade de viajar - neste mundo ou no outro. Devidamente ferrado, o cavalo pode cavalgar mais depressa e até mais longe. O ato de ferrar o cavalo foi primeiramente desenvolvido no mundo celta e o Ferreiro era considerado uma figura importante: segunda a velha lei galesa, era ele que tomava a primeira bebida em qualquer banquete. E, na Irlanda, o deus-ferreiro Goibhniu era o anfitrião de um banquete que concedia a imortalidade aos seus convidados. Ao levar-nos e trazer-nos de volta do e para Hy Breasil, o cavalo nos dá, de fato, os meios para podermos transcender as limitações da nossa mortalidade.


Fonte: O Oráculo Animal dos Druidas – Trabalhando com os Animais Sagrados da Tradição Druídica. Philip e Stephanie Carr-Gomm.


Ilustração da carta por Bill Worthington.


* Gaélico: Grupo de línguas célticas faladas na Irlanda e no Reino Unido. Relativo ou próprio dos celtas irlandeses e dos bretões (via dicionário: Priberam).


*Gália: a Gália compreende o atual território da França, algumas partes da Bélgica e da Alemanha e o norte de Itália (via: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gália).


* Loch é a palavra gaélica escocesa e irlandesa para um lago ou enseada (via: https://en.wikipedia.org/wiki/Loch).