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AS ORDENS DO AMOR



"Muita gente julga que o amor tem o poder de superar tudo, que é preciso apenas amar bastante e tudo ficará bem. Para que o amor dê certo é preciso que exista alguma outra coisa ao lado dele. É necessário que haja o conhecimento e o reconhecimento de uma ordem oculta do amor."


Bert Hellinger



CONSTELAÇÃO FAMILIAR OU SISTÊMICA DE BERT HELLINGER: As "Ordens do Amor"


Para Bert Hellinger, existem leis que regulam os sistemas, inclusive o familiar e a harmonia desses sistemas depende desses princípios e regras. Para Bert, inclusive, a ordem precede o amor que, por maior que seja, só pode chegar se as ordens são reconhecidas.


Essas ordens são leis universais que definem a vida e as relações entre os seres humanos, desde seu nascimento até a morte e valem em qualquer cultura.


Ou seja, são leis universais que não podem ser alteradas e sobre as quais não temos influência. Pelo contrário, são elas que atuam sobre nós e delas dependemos para encontrar harmonia e paz, individualmente e como grupo/sistema.


A ordem precede o amor e ele só se desenvolve dentro dela. A ordem preexiste. Quando invertemos a relação e tentamos mudar a ordem através do amor a relação está condenada ao fracasso. O amor se adapta à uma ordem e assim pode florescer, assim como a semente se adapta ao solo e ali cresce e prospera.


Quando a ordem é reconhecida, o amor flui.


SÃO TRÊS AS ORDENS/LEIS DO AMOR


A primeira lei se refere à pertinência: Todos têm o igual direito de pertencer.


A segunda lei se refere ao equilíbrio entre dar e receber.


A terceira lei diz que há uma hierarquia de tempo/uma ordem: os mais antigos vêm primeiro e na sequência os mais novos.


Hoje abordaremos a segunda lei:


EQUILÍBRIO ENTRE DAR E RECEBER (DAR E TOMAR)


A segunda lei ou ordem do amor é o dar e receber na mesma proporção. Ao invés de receber, Bert chama de tomar, porque tomar é ativo e implica em efetivamente se apropriar do que é recebido.


Assim, uma regra importante é o dar e receber, ou dar e tomar, na mesma proporção.


Membros da família dão e tomam em um intercâmbio contínuo e o amor só flui quando há esse equilíbrio (a exceção é a relação entre pais e filhos, que veremos mais adiante, na qual pais dão e filhos tomam).


Bert utiliza a palavra TOMAR ao invés de receber, porque implica em uma postura mais ativa. Implica em ação, diferente de simplesmente receber. Ou seja, tomar é ativo, enquanto receber é passivo. Enquanto receber é algo sem compromisso, tomar implica em um compromisso.


Porque eu posso receber um presente e não tomá-lo, por exemplo.


Para que exista equilíbrio em uma relação, o dar e o tomar devem estar, portanto, na mesma proporção. Um dá alguma coisa para o outro e o outro toma o que foi dado. Quem recebe, dá algo em troca e isso gera o equilíbrio.


Num relacionamento de casal, por exemplo, quando há amor, ambos sentem vontade de dar e estão dispostos a tomar. E esse intercâmbio, essa troca, gera compromisso. Porquê quem recebe fica em dívida com quem deu, até que dê algo em troca e a relação se equilibre novamente. Se a pessoa simplesmente recebe, sem tomar, essa dívida não existe e o compromisso também não.


Se alguém só toma e não dá nada em troca, acabará por perder quem somente dá, assim como quem somente dá acabará por perder quem somente toma. Porque precisa haver esse respeito ao equilíbrio entre dar e tomar.


O amor em uma relação aumenta quando quem recebe dá um pouco mais em troca do que aquilo que tomou. Quem recebe sente-se tão grato que além de dar de volta, dá um pouco mais. Quem recebe de volta, da mesma forma, sente-se grato e dá novamente, dessa vez um pouco mais. E assim forma-se uma cadeia crescente de troca, amor e compromisso.


Se as relações humanas começam com o dar e o tomar, com esse dar e tomar também começam as experiências de culpa e inocência. Porque quem dá tem o direito de reivindicar e quem toma passa a ter uma obrigação. E não há descanso nessa troca até que haja uma compensação, com a consequente inversão de papéis.


Podemos escapar desse ciclo não recebendo, ou melhor, não tomando. Não tomar implica em não ficar obrigado. Mas isso pode gerar um vazio e quem não toma, não toma também a vida. Também podemos preferir dar mais para estarmos sempre no direito de receber. E essa atitude pode destruir relacionamentos.


O ideal, portanto, é a TROCA, na qual tomamos e damos na mesma proporção.



DAR E TOMAR NA RELAÇÃO PAIS E FILHOS


A regra muda na relação entre pais e filhos, que funciona assim: pais dão, filhos tomam.


Os filhos não podem equilibrar o que receberam, porque isso é grande demais. Os filhos recebem dos pais a VIDA, que é o mais importante que podem tomar de seus pais.


Há quem apenas receba a vida, e não a tome e essa diferença pode ser vista claramente nas constelações familiares. Quem toma a vida tem muito mais força para viver seu próprio destino.


Quem apenas recebe a vida não tem tanta força e isso é sentido em sua vida.


Alguns filhos se sentem em dívida com seus pais e tentam retribuir: querem devolver o que receberam. Mas essa é uma postura arrogante e substitui a gratidão.


Ou ainda, alguns filhos tentam ser pais de seus pais e isso também gera um imenso desequilíbrio no sistema. Há aqui uma inversão da ordem e a ordem não pode ser superada por amor. Isso pode gerar desequilíbrios e ter consequências muito graves. É preciso compreender a ordem e segui-la com amor.


A melhor forma de compensar o que recebemos dos nossos pais é dizer OBRIGADA (uma das palavras mais fortes e eficientes nas constelações e na vida) e simplesmente tomar tudo que podem nos dar.


Quem recebe e toma dos seus pais, conseguirá receber e tomar mais em qualquer relação em sua vida. E também terá o que dar e isso também fará com que possam tomar mais dos outros e da vida. Tomar tudo que os pais podem dar proporciona mais força para viver seus destinos e para ter abundância na vida.


Professores, assim como os pais, também são doadores.


Uma forma de compensação daquilo que foi recebido pelos pais é passar adiante, transmitindo à geração seguinte, ou seja, aos seus filhos.


A bola dourada

O que eu recebi pelo amor de meu pai

Eu não lhe paguei,

Pois, em criança,

Ignorava o valor do dom,

E quando me tornei homem, endureci

Como todo homem.


Agora vejo crescer meu filho,

A quem amo tanto

Como nenhum coração de pai

Se apegou a um filho.

E o que antes recebi

Estou pagando agora

A quem não me deu

Nem me vai retribuir.


Pois quando ele for homem

E pensar como os homens,

Seguirá, como eu,

Os seus próprios caminhos.


Com saudade, mas sem ciúmes,

Eu o verei pagar ao meu neto

O que me era devido.


Na sucessão dos tempos

Meu olhar assiste, comovido e contente,

O jogo da vida:

Cada um, com um sorriso,

Lança adiante a bola dourada,

E a bola dourada nunca é devolvida!


Bert Hellinger



TOMAR A VIDA


Portanto, o que de maior um filho pode tomar de seus pais é a VIDA. Vida que todos nós recebemos e por isso estamos aqui. E “só isso”, “só” a vida, já é algo muito grande e precisamos agradecer. Isso independe de termos conhecido nossos pais, ou de concordar com o destino deles.


Essa ordem do amor implica em que os filhos recebam a vida de seus pais e tomem como são, sem outros desejos ou medos. Deveria sempre vir acompanhado de uma postura humilde, por receber a vida e o destino como são dados através dos pais, incluindo limites impostos, destino e culpas familiares, o que se abre, etc, ou seja, simplesmente como vem, simplesmente como pode ser, simplesmente como é.


Honrar o que recebemos, nossos pais e essa vida que vem através deles, nos dá força para aceitar e viver nosso próprio destino.



AGRADECIMENTO


Agradecer é uma ótima forma de compensação entre o dar e o tomar. O agradecimento não exime o dar, mas às vezes é a única resposta possível, pelo menos naquele momento.


É uma forma de reconhecer o que foi dado, muitas vezes como um presente, e sem que aquele que deu saiba se receberá algo em troca. Isso é uma forma de amor e ajuda a equilibrar o sistema. Esse reconhecimento, acompanhado desse amor, muitas vezes pode bastar e valer mais do que algo que fosse dado em troca.



DAR E RECEBER EM CASO DE DANOS


Quando alguém faz algo contra o outro, a relação só se equilibra quando o ofensor recebe algo ruim de sua vítima. Ou seja, ofensor e vítima também estão sujeitos à necessidade de compensação e a vítima tem direito de exigi-la e o autor sabe que está obrigado a dar esse direito.


A grande questão é que a compensação irá gerar prejuízo para ambos e a vítima também passa a ser um ofensor, porque para compensar uma dor que sentiu, precisa causar um sofrimento.


Assim, só há uma equiparação quando o culpado e a vítima compensaram o dano e ambos sofreram. Então, podem se reconciliar, ter paz e voltam a fazer o bem.


Mas, assim como nos casos das trocas com amor, quem recebe pode dar um pouco mais e assim sucessivamente para que o amor vá crescendo. Nos casos de dano quem dá de volta pode dar um pouco menos, para que esse ciclo vá se extinguindo.


Uma outra forma de compensação é o PERDÃO.

 

Texto adaptado por Sintonia Kuan Yin Terapias.


Fontes de pesquisa:


https://titividal.com.br/ordens-do-amor-dar-e-receber/


https://institutokoziner.com/constelacao-familiar-de-bert-hellinger-as-ordens-do-amor-o-direito-de-pertencer/