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QUAIS VIRTUDES EMBELEZAM SUA ALMA?

Entendo que a busca de nossa Alma enquanto trilha os caminhos da Terra, em resumo, se trata da conquista das virtudes que ainda não expressamos de forma plena. Entre variações, o conceito de Alma pode ser entendido como o instrumento de expressão do Espírito no período em que veste um corpo de carne.


Tudo deve ser acolhido e honrado durante o processo de liberação dos velhos padrões e condicionamentos de que ainda nos servimos. Temos a tendência de nos julgar e nos envergonhar pelo passado e pelos equívocos cometidos, sem a devida compreensão que todas as experiências nos rendem material de onde extrair sabedoria. Todas as pessoas que cruzam nosso caminho, como também as experiências que nos proporcionam, são oportunidades para crescer em amor - por nós mesmos e por todos os seres.


Virtudes não são aprendidas do dia para a noite, muito menos em uma única vida. Nossa Alma vem se exercitando desde tempos imemoráveis. Quando uma virtude de fato já integra o rol das habilidades de nossa Alma, se torna tesouro imperecível do nosso Espírito.


Quando nos despimos da velha bagagem emocional, podemos, com maior leveza, transitar pelo mundo – levando os dons que de fato já nos pertencem. Ao nos desapegarmos do que ainda nos provoca dor em algum nível, deixamos o homem velho morrer. Ao nos rendermos a essa morte, podemos então renascer... e o primeiro vislumbre do renascimento é o acesso às nossas novas partes que antes estavam camufladas por camadas de sombras. Habilidades ainda em estado latente que só então temos a oportunidade em conhecer. São gérmens de virtudes que podem ser vislumbradas em brotos verdes, que irão crescer, florescer e frutificar – novos e saudáveis padrões surgem, renascemos mais uma vez. Serão inúmeras mortes no exercício do viver... não cessa, não acaba. É a escola da vida.


Ao descartar o que não se alinha mais à verdade de nosso coração, resplandecemos um pouquinho mais nosso Eu Divino. É preciso nos concentrar em nossas próprias necessidades, tirar um pouco os olhos do mundo, do externo e nos voltarmos ao que se desenrola em nosso mundo íntimo. Cada emoção nos notifica algum conteúdo ainda inexplorado - carente de iluminação e autoamor.


No reconhecimento de nossas próprias necessidades nos alinhamos a novos potenciais, nos tornamos conscientes da atuação da Graça Divina em cada detalhe de nossos dias.


Ao acessarmos nossos dons (ou as sementes deles), lembrando que somos seres únicos, singulares, extraordinários, saímos dos padrões de competição ou comparação com os demais, pois quando há real vontade em avançar e nos colocamos em movimento, podemos aprender qualquer coisa. Nossos dons são oportunidades de cura para nossas sombras, desde que não as neguemos em nós. Quão mais nos curamos (de nós mesmos) mais nos tornamos espelhos um pouco mais límpidos para a cura dos demais. Quando identificamos em nós nossas facetas de sombras, podemos, num primeiro momento, exercitar a humildade em reconhecer nossas fraquezas, acolher nossas partes sombrias, aceitar que fazem parte de nós (e tudo bem). Honrar tudo como foi, sem julgamentos, integrando nossas sombras aos nossos registros akáshicos – nos servindo de agora em diante da sabedoria que nos trouxeram.


Em primeiro lugar devemos nos cuidar, e nos abençoar. Toda a partilha e doação só é isenta de egoísmo quando não se quer algo em troca (sinto que pouquíssimos seres que habitam este plano já estão neste nível), então, que a doação que nossa Alma oferta seja um sincero impulso do coração. Ainda somos aprendizes do caminho e estamos nos exercitando dentro da arte da abnegação. Importante também nos conscientizarmos da importância do ego (bem educado e direcionado), é ele que nos move na matéria – caminhando cientes que o egoísmo ainda se faz presente em maior ou menor grau dentro de cada um de nós. Quando nos tornamos maduros o suficiente podemos nos valer da autorresponsabilidade e da honestidade, para este olhar mais acurado - tomando 100% de responsabilidade por tudo que nos acontece, tendo a clareza que não somos vítimas, de nada, nem de ninguém, pois estamos onde nos colocamos - muitas vezes colhendo frutos amargos provenientes de plantios infelizes e inconscientes de tempos remotos.


Apenas na vivência real de quem somos, longe das máscaras de que ainda nos valemos e nos dão ilusória sensação de segurança, temos a possibilidade de servir ao Todo de maneira um pouco mais eficaz. Através de nossos bons exemplos podemos vir a nos tornar fonte sadia de cura, pois nossa luz dá permissão aos outros, mesmo que de modo inconsciente, para também se curarem e resplandecerem sua própria luz.


Através de minhas experiências tenho aprendido que uma das maiores lições que todos temos a assimilar, neste solo sagrado, é servir aos outros sem nos causar dor - não podemos nos prejudicar para servir de fonte às suas curas. Ponto onde deveríamos nos questionar e conhecer nossas limitações, e principalmente, respeitá-las. Podemos focar no autocuidado, ficar atentos às nossas próprias dores. Quando nos perdemos de nós mesmos baixamos nosso campo vibracional, e para nos elevarmos e experimentarmos paz, uma das chaves é assumir o controle de nossa mente e emoções. A segunda chave é focar na gratidão, que altera nosso estado íntimo em segundos - sempre a algo em nossa existência passível de profundos agradecimentos.


Oscilamos entre extremos, e eles são necessários, pois se trata de um dos mecanismos utilizados pelo universo aos aprendizados que necessitamos. Na vida, em sua roda girante, somos experimentados até chegarmos ao limite da nossa energia masculina (racional, lógica, objetiva, controladora) e quando chegamos a essa ponta extrema que é fria e paralisante, em busca de sobrevivência buscamos amortecer a dor (de inúmeros jeitos) e nos desconectamos de nossa essência espiritual, começamos a adoecer... Na ponta oposta deste processo somos conduzidos a acessar e experienciar nossa energia feminina (a parte que sente, que cuida, que regenera e se autorregenera, que navega as águas profundas da incerteza, criatividade, dúvida, intuição e dos sonhos). E nesta imersão no feminino podemos também nos perder nas águas de nosso inconsciente (pessoal ou coletivo). É preciso confiança no processo. A existência nos experimenta por inúmeras vezes nestas duas polaridades, até alcançarmos a temperança, ou apenas parte dela.


Neste jogo de extremos a minha maior constatação é que quanto maior a intensidade, maior a dor... Nos limites nos exercitamos e autoconhecemos, mas eles não nos permitem alcançar a plenitude, o equilíbrio se apresenta limitado e relativo. De toda forma é na vivência dos extremos que integramos nossas polaridades (masculino e feminino – terra e céu – luz e sombras). E mesmo que estejamos em alguma ponta, neste momento, tudo bem. Estamos exatamente onde precisamos estar para os desafios da vez. A Consciência Divina é infinitamente sábia. Deus não erra.


Ao assumirmos nosso Poder Divino nos cuidamos como perfeitos cristais, nos tornamos mestres de nós mesmos, comandantes do nosso caminho. Aprendemos, mesmo que a duras penas, a fazer escolhas mais sábias.


A temperança nos permite seguir com passos prudentes, conectados à calmaria interior. Mais serenos e menos dependentes do externo – aprendemos a moderar nossos apetites, seguimos em maior liberdade, menos ligados aos desejos do ego e cientes das necessidades da Alma. De quanto menos necessitamos mais nos sentimos alegres e confiantes e nos alinhamos às frequências mais altas. Desenvolvemos fé na guiança, nos abrindo às próximas etapas de nosso destino.


Modificando a atitude interna descobrimos que tudo o que necessitamos nos é apresentado na hora certa. Somos encorajados a caminhar e trilhar as descobertas de novas virtudes, completando em nosso ritmo o arco-íris interno das luzes que nos pertencem por Direito Divino. Aos nos mantermos abertos e positivos nos blindamos dos sentimentos negativos e obstáculos que obstruem nossa passagem rumo à luz.


Que tomemos nossa fé, coragem e autoconfiança, que estejamos atentos às vozes da intuição, aos sussurros de nossa Alma – que quer nos conduzir à plenitude. É a confiança na renovação das águas, a capacidade de nos regenerar e voltar a crescer. É limpeza íntima, purificação e cura.


Que mantenhamos a confiança nos processos universais - o Todo funciona em ordem sincrônica e perfeita, mesmo que tudo pareça imperfeito e ilógico aos olhos limitados do ego e da matéria.


Para nos autoconhecer necessitamos desejar este feito. Não é possível iluminar em nós inúmeros milênios de escuridão em dois tempos, precisamos nos valer de esforço próprio para nossa reforma íntima de cada dia.


Aos poucos vamos plasmando as qualidades sublimes, que nos conduzem à ascensão. A Graça Divina cresce dentro de nós à medida das virtudes que já podemos expressar. Ofertemos aos céus o vaso do coração e permitamos que a Divindade plante em nós sementes de amor. Não carecemos ter todas as respostas, mas nos mover com confiança no que estiver sendo tangivelmente apoiado pelas energias universais, não há necessidade de lutar. Abrindo mão da resistência e julgamentos nos abrimos à aceitação e rendição que nos conduz de forma mais leve na jornada que se desdobra.


Com amor,


Aline Keny


Texto escrito em 30.10.2019, revisado em 13.06.2020.


Imagem: Monte Fuji, no Japão - Foto por Marcos Seyde.